sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Te amo como se amam certas coisas sombrias - Pablo Neruda, no Soneto XVII

NÃO TE AMO como se fosse rosa de Sal, topázio
ou fecha de cravos que propagam o fogo:
te amo com se amam certas coisas sombrias,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e a graças a teu amor vive escuro em meu corpo,
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde
te amo diretamente, sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira, 

  se não assim deste modo que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre o meu peito é minha
                              tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.